terça-feira, 2 de setembro de 2014

Recorde-se que a sua guerra também foi travada contra a tuberculose pulmonar (no HM 241, em Bissau, e depois no sanatório do Caramulo). É hoje DFA. Estes dois poemas são dessa época em que esteve em tratamento no Caramulo.


Quem me leva o agasalho
Que me deixa a tiritar,
Será a morte com seu orvalho
Que comigo vem brincar?

E meu coração arrefece,
Já não tem amor p'ra dar.
Porque já não sei quem sou!
E, para o lugar que vou,
Haverá lugar para amar?


Sinto-me fugir da terra
E já não sei quem eu era;
Estou numa onda diferente,
Minha vida está acabar
E do meu corpo voar
Para longe, firmemente.

E, para o lugar que vou,
Porque já não sei quem sou,
Haverá lugar para amar?
Meu coração arrefece
Já não tem amor para dar.
 
Hotel Santa Maria,
servindo de Hospital militar no Caramulo
s/d

Hoje foi mais uma festa, meu amor!

Foi a festa do reencontro:
Que alegria foi ver as lágrimas nos olhos,
Nos meus olhos.

Nos olhos dos vivos,
Que, pelos outros que tombaram, 
As lágrimas vertidas,
Não são suficientes para apagar
Da memória,
A sua imagem.

E, meu amor, estou feliz por me sentires vivo,
Por encontrares no meu ombro,
O aconchego
Que apesar de frio
Me sussurras ao ouvido.

Que abençoados fomos nesta eternidade...
Mesmo que eu não tivesse tempo,
De te dar amor inteiro.
Porque o meu coração
Pula de emoção em emoção,
Sabendo que se aproxima de novo
O dia do reencontro...


Hotel Santa Maria,
servindo de Hospital militar, no Caramulo
s/d

Marques de Almeida
CCAÇ 2548 

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